Um pouco da dualidade comentada pelo Pedro e pela Mônica dentro de seus projetos. O morador da comunidade, seja adulto ou criança, entre a guerra policial-varejista (Filipe, 2014). Me lembrou diretamente a fala dos professores em que apontam as divisões entre as crianças e adolescentes dos projetos, que desejam ser traficantes ou policiais. O que me levou também ao debate sobre oportunidades de escolha, mais especificamente à fala de um colega sobre a influência vir apenas do lado pecuniário e sem interferência do social. Como Veblen diz, o ser humano é um ser social e pensá-lo dissociado do meio não poderia descambar em outro fim, a não ser o erro. Dizer que o ambiente favela não "imbute" uma ideia limítrofe de subempregos, seria dizer também que o "playbozinho" da zona sul tem, entre seu leque de escolhas, a opção de ser balconista de fest-food. Acredito, de fato, que o "ambiente favela", assim como o ambiente "zona sul" e todos os outros limitam substancialmente o prisma de opções dos indivíduos. Não falo de determinismo social, mas sim de influências fortíssimas sobre a conduta humana, até porque ninguém aqui vive em isolamento total. Não se trata de pensar o sentido existencialista de "escolha". A palavra chave é oportunidade. Como esperar de uma garota da maré que ela escolha e que tenha condições de levar sua escolha de ser arquiteta adiante, se ela não tiver condições para estudar e se tornar competitiva o suficiente para ingressar em uma UFRJ? Esse é um exemplo de escolha profissional, assim como ser sustentado pelos parentes também é, agora não haveria essa opção ao indivíduo se não houvesse os parentes (meio social) para que tal condição fosse possível. Mesmo em nossa própria opção recente de curso superior, quem aqui criou e desenvolveu um curso ou uma disciplina? Alguém não se submeteu ao meio social limítrofe de escolha de cursos? Vejo as pessoas ingressando em cursos já existentes e preferindo os de instituições mais conceituadas, como (que estranho) da UFRJ. "Por ser uma instituição valorizada socialmente", "porque minha mãe quis", "porque eu quis". Alguém ainda acredita que uma escolha como essa passa unicamente pelo indivíduo, sem influência externa? Nem nosso gosto/preferência vem apenas de nós (Bourdieu e Veblen). Acho realmente estranho quando ouço uma pessoa se dizer absoluta sobre si em relação ao meio (isso não foi uma alfinetada no coleguinha, ele não disse isso)...

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