"É muito comum falarem das periferias como regiões em que nada acontece, e que determinadas atividades são 'salvadoras' porque 'levam cultura'. Os territórios nunca deixam de produzir cultura. Ela começa nas histórias contadas em botecos, terreiros e praças, nas pipas do céu, nas brincadeiras de rua, no samba e nas festas tradicionais como a de São Jorge em Quintino ou a de 100 anos da Tia Dorinha no Jacarezinho. Eventos que nunca deixaram de acontecer, mas correm por fora de uma ideia de cultura que só pensa em determinados tipos de eventos e formatos. O que falta nas Zona Norte, Oeste ou na Baixada não são artistas ou produtores, são espaços e investimentos que permitam a exposição e a continuidade dos trabalhos."
-Carlos Meijueiro, Coletivo Norte Comum
Trecho da reportagem feita no dia 13/04/2014 para a Revista O Globo
A identidade nacional vem do "morro". O samba, a mulata, a vida boêmia, a malandragem na dança, na conquista e na forma de lidar com a vida são elementos que nasceram na periferia e se consolidaram como marca da população brasileira. Isso só para falar do Rio de Janeiro. Mas para onde formos dentro da nação veremos como é expressiva a produção cultural e a criatividade dos que há tempos vivem à margem.
Olhar para a periferia como lugar onde a violência e todo os males sociais proliferam, encontram calor e aconchego para germinarem é no mínimo ser cego. Citando o Bezerra: "se vocês estão a fim de prender o ladrão / podem voltar pelo mesmo caminho / o ladrão está escondido lá embaixo / atrás da gravata e do colarinho."
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