Fazendo link com o tema levantado pela Júlia (diversidade
sexual) , vou colocar algumas considerações sobre o tema da cura gay , que foi
levantado no dia da apresentação do projeto "diversidade sexual na
escola" .
A aprovação do decreto legislativo 234 (que ganhou
reconhecimento popular como a cura gay) pela Comissão de Direitos Humana e
Minorias foi um dos temas que ganhou grande destaque no Brasil em 2013.
Infelizmente , quando o assunto estava em voga , não pesquisei muito sobre o
assunto , apenas ouvi boatos . Escutei frases como: "A bancada religiosa vai
impor uma cura à todos os homossexuais".
Em 1999, o Conselho Federal de Psicologia publicou uma
resolução que determinava e atualizava as regras da psicologia brasileira.
Dentre elas, esse texto proibia os psicólogos de lidarem com a homossexualidade
como doença, e também de participar de qualquer atividade que partisse do
princípio de que pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo são doentes. O decreto
legislativo iria suspender esse parágrafo. Confesso que eu não tinha muita
noção de como esse assunto estava intimamente ligado ao exercício da profissão
dos psicólogos. Atualmente a câmara decidiu arquivar o projeto do decreto .
Os defensores da medida afirmam que, do jeito que está
escrita, essa resolução impede o livre-exercício da profissão de psicólogo.
Quer dizer, o CFP estaria limitando os direitos desses profissionais. Entretanto,
essa resolução estaria infringindo um consenso internacional de que a homossexualidade
não é uma doença. Desde 1990 a Organização Mundial da Saúde (OMS) tirou essa
orientação sexual da lista de doenças.
A aprovação desse decreto por essa comissão presidida por
Marco Feliciano, pastor protestante acusado de fazer declarações racistas e
homofóbicas, foi visto como uma provocação na época e ocasionou uma comoção
nacional ,principalmente via redes sociais. “Essa comissão não me representa”. Esse
pastor representa uma categoria especialmente forte na política brasileira que
abertamente defende posições conservadoras e utiliza a religião para propagar
atitudes de ódio ao invés do “amor o próximo”. Algumas igrejas evangélicas
dizem poder “curar” os gays e esse projeto poderia abrir uma brecha para que
elas ofereçam esse “serviço” e utilizariam as leis para permitir o preconceito.
Dizer que gays podem ser “tratados” é uma visão que entra em
conflito com os tempos que a gente vive. Não é muito difícil entender porque o
pessoal que luta pelos direitos dos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e
Transgêneros) se sentiu incomodado. Afinal de contas, até o Supremo Tribunal
Federal já disse que pessoas do mesmo sexo podem se casar.

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