quinta-feira, 17 de abril de 2014

A "Cura gay"

Fazendo link com o tema levantado pela Júlia (diversidade sexual) , vou colocar algumas considerações sobre o tema da cura gay , que foi levantado no dia da apresentação do projeto "diversidade sexual na escola" .
A aprovação do decreto legislativo 234 (que ganhou reconhecimento popular como a cura gay) pela Comissão de Direitos Humana e Minorias foi um dos temas que ganhou grande destaque no Brasil em 2013. Infelizmente , quando o assunto estava em voga , não pesquisei muito sobre o assunto , apenas ouvi boatos . Escutei frases como: "A bancada religiosa vai impor uma cura à todos os homossexuais".
Em 1999, o Conselho Federal de Psicologia publicou uma resolução que determinava e atualizava as regras da psicologia brasileira. Dentre elas, esse texto proibia os psicólogos de lidarem com a homossexualidade como doença, e também de participar de qualquer atividade que partisse do princípio de que pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo são doentes. O decreto legislativo iria suspender esse parágrafo. Confesso que eu não tinha muita noção de como esse assunto estava intimamente ligado ao exercício da profissão dos psicólogos. Atualmente a câmara decidiu arquivar o projeto do decreto .
Os defensores da medida afirmam que, do jeito que está escrita, essa resolução impede o livre-exercício da profissão de psicólogo. Quer dizer, o CFP estaria limitando os direitos desses profissionais. Entretanto, essa resolução estaria infringindo um consenso internacional de que a homossexualidade não é uma doença. Desde 1990 a Organização Mundial da Saúde (OMS) tirou essa orientação sexual da lista de doenças.

A aprovação desse decreto por essa comissão presidida por Marco Feliciano, pastor protestante acusado de fazer declarações racistas e homofóbicas, foi visto como uma provocação na época e ocasionou uma comoção nacional ,principalmente via redes sociais. “Essa comissão não me representa”. Esse pastor representa uma categoria especialmente forte na política brasileira que abertamente defende posições conservadoras e utiliza a religião para propagar atitudes de ódio ao invés do “amor o próximo”. Algumas igrejas evangélicas dizem poder “curar” os gays e esse projeto poderia abrir uma brecha para que elas ofereçam esse “serviço” e utilizariam as leis para permitir o preconceito.

Dizer que gays podem ser “tratados” é uma visão que entra em conflito com os tempos que a gente vive. Não é muito difícil entender porque o pessoal que luta pelos direitos dos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) se sentiu incomodado. Afinal de contas, até o Supremo Tribunal Federal já disse que pessoas do mesmo sexo podem se casar.

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