Este blog tem como objetivo contemplar as discussões realizadas na disciplina Extensão Universitária, Psicologia e Compromisso Social I (Instituto de Psicologia / Universidade Federal do Rio de Janeiro). Trata-se de um espaço de construção coletiva que visa contribuir para a formação dos participantes e demais interessados.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Projeto com exposição e debates sobre a causa LGBT na Favela da Maré
Voltando ao
primeiro tema debatido nas aulas de extensão, a "diversidade sexual", a Favela da Maré receberá uma exposição fotográfica que é pertinente ao tema. Entre os dias 26/04 e 09/05 a mostra “Eu
te desafio a me amar” da artista Diana Block, artista uruguaia/holandesa, trará fotos de personalidades,
artistas e militantes envolvidos com a causa LGBT, os quais tem retratado desde 2013. Quem abrigará essa mostra é a Galeria 535, um espaço que se destina a fotografia e foi criado pela organização Observatório de Favelas, afim de dar acesso cultural de qualidade a periferia.
Além da exposição, também haverá um projeto com esse mesmo nome para estimular o debate sobre os direitos da população LGBT, por intermédio de fotografias, vídeos e discussões com essa temática.
Além da exposição, também haverá um projeto com esse mesmo nome para estimular o debate sobre os direitos da população LGBT, por intermédio de fotografias, vídeos e discussões com essa temática.
Na minha opinião essa é uma iniciativa incrível, pois o contato com o tema, a discussão sobre diversidade e sobre a identidade sexual que cada um se vê é um modo eficaz de desmistificar e entender um pouco mais o movimento e suas reivindicações, o que ajuda a acabar com o preconceito, tão impregnado em nossa sociedade.
O que vocês acham sobre o tema da exposição
e sobre os efeitos que essa discussão podem trazer a nossa sociedade?
Para quem se interessou a programação é:
Complexo de Favelas da Maré/Observatório de Favelas
- 25 de abril, 18h00: Abertura da exposição de fotografias “Eu te desafio a me amar”, de Diana Blok.
- 26 de abril a 09 de maio:, 9h00 as 18h00 Exposição aberta ao público.
- 26 de abril, 10h00 às 13h00: Oficina de fotografia com a artista visual Diana Blok. (inscrições no local).
Anistia Internacional
17 de maio: Dia Internacional Contra a Homofobia e Transfobia.
- 10h a 19h30 - Exposição de fotografias “Eu te desafio a me amar”
- 16h - Mesa de Debates sobre liberdade de expressão e direitos humanos de minorias sexuais.
- 19h30 - exibição do filme “Eu te desafio a me amar”, de Diana Blok.
Para quem não se interessou fiquem com um teaser do projeto, aposto que vocês irão se interessar agora: http://vimeo.com/79034975
(Informações extraídas do site do Instituto de Estudos Socioeconômicos, Inesc)
(Informações extraídas do site do Instituto de Estudos Socioeconômicos, Inesc)
quinta-feira, 17 de abril de 2014
A "Cura gay"
Fazendo link com o tema levantado pela Júlia (diversidade
sexual) , vou colocar algumas considerações sobre o tema da cura gay , que foi
levantado no dia da apresentação do projeto "diversidade sexual na
escola" .
A aprovação do decreto legislativo 234 (que ganhou
reconhecimento popular como a cura gay) pela Comissão de Direitos Humana e
Minorias foi um dos temas que ganhou grande destaque no Brasil em 2013.
Infelizmente , quando o assunto estava em voga , não pesquisei muito sobre o
assunto , apenas ouvi boatos . Escutei frases como: "A bancada religiosa vai
impor uma cura à todos os homossexuais".
Em 1999, o Conselho Federal de Psicologia publicou uma
resolução que determinava e atualizava as regras da psicologia brasileira.
Dentre elas, esse texto proibia os psicólogos de lidarem com a homossexualidade
como doença, e também de participar de qualquer atividade que partisse do
princípio de que pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo são doentes. O decreto
legislativo iria suspender esse parágrafo. Confesso que eu não tinha muita
noção de como esse assunto estava intimamente ligado ao exercício da profissão
dos psicólogos. Atualmente a câmara decidiu arquivar o projeto do decreto .
Os defensores da medida afirmam que, do jeito que está
escrita, essa resolução impede o livre-exercício da profissão de psicólogo.
Quer dizer, o CFP estaria limitando os direitos desses profissionais. Entretanto,
essa resolução estaria infringindo um consenso internacional de que a homossexualidade
não é uma doença. Desde 1990 a Organização Mundial da Saúde (OMS) tirou essa
orientação sexual da lista de doenças.
A aprovação desse decreto por essa comissão presidida por
Marco Feliciano, pastor protestante acusado de fazer declarações racistas e
homofóbicas, foi visto como uma provocação na época e ocasionou uma comoção
nacional ,principalmente via redes sociais. “Essa comissão não me representa”. Esse
pastor representa uma categoria especialmente forte na política brasileira que
abertamente defende posições conservadoras e utiliza a religião para propagar
atitudes de ódio ao invés do “amor o próximo”. Algumas igrejas evangélicas
dizem poder “curar” os gays e esse projeto poderia abrir uma brecha para que
elas ofereçam esse “serviço” e utilizariam as leis para permitir o preconceito.
Dizer que gays podem ser “tratados” é uma visão que entra em
conflito com os tempos que a gente vive. Não é muito difícil entender porque o
pessoal que luta pelos direitos dos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e
Transgêneros) se sentiu incomodado. Afinal de contas, até o Supremo Tribunal
Federal já disse que pessoas do mesmo sexo podem se casar.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Perguntas do tema Favela
Está um pouco atrasado, mas aqui estão as questões referentes ao tema Favela. Estou postando apenas as perguntas que foram elaboradas antecipadamente pelo grupo, já que a maioria das perguntas feitas surgiram com o decorrer da apresentação do projeto.
Favela:
- Que tipo de atividades o projeto realiza com os moradores das favelas?
- Muitos indivíduos veem as favelas com certo preconceito. Mas como é a favela realmente, isto é, quais conceitos que as pessoas têm são verdadeiros e quais são falsos?
- Qual é a principal diferença entre desenvolver um projeto com pessoas de comunidades e um projeto com moradores de áreas mais nobres?
- Quais são os principais problemas psicológicos que os moradores das favelas enfrentam?
- Que tipo de transformação social os projetos podem trazer para as comunidades?
- Que lições os próprios psicólogos podem levar desse tipo de projeto?
Favela:
- Que tipo de atividades o projeto realiza com os moradores das favelas?
- Muitos indivíduos veem as favelas com certo preconceito. Mas como é a favela realmente, isto é, quais conceitos que as pessoas têm são verdadeiros e quais são falsos?
- Qual é a principal diferença entre desenvolver um projeto com pessoas de comunidades e um projeto com moradores de áreas mais nobres?
- Quais são os principais problemas psicológicos que os moradores das favelas enfrentam?
- Que tipo de transformação social os projetos podem trazer para as comunidades?
- Que lições os próprios psicólogos podem levar desse tipo de projeto?
terça-feira, 15 de abril de 2014
Adolescência em conflito com a lei
Para quem se interessou pelo assunto abordado na aula de hoje (Adolescência em conflito com a lei) segue um link do documentário de Maria Augusta Ramos que trata sobre esse assunto. Vale apena ver até o final!
https://www.youtube.com/watch?v=HfMcMIp_7Ao
Espero que gostem!!!
domingo, 13 de abril de 2014
Há cultura na periferia?
"É muito comum falarem das periferias como regiões em que nada acontece, e que determinadas atividades são 'salvadoras' porque 'levam cultura'. Os territórios nunca deixam de produzir cultura. Ela começa nas histórias contadas em botecos, terreiros e praças, nas pipas do céu, nas brincadeiras de rua, no samba e nas festas tradicionais como a de São Jorge em Quintino ou a de 100 anos da Tia Dorinha no Jacarezinho. Eventos que nunca deixaram de acontecer, mas correm por fora de uma ideia de cultura que só pensa em determinados tipos de eventos e formatos. O que falta nas Zona Norte, Oeste ou na Baixada não são artistas ou produtores, são espaços e investimentos que permitam a exposição e a continuidade dos trabalhos."
-Carlos Meijueiro, Coletivo Norte Comum
Trecho da reportagem feita no dia 13/04/2014 para a Revista O Globo
A identidade nacional vem do "morro". O samba, a mulata, a vida boêmia, a malandragem na dança, na conquista e na forma de lidar com a vida são elementos que nasceram na periferia e se consolidaram como marca da população brasileira. Isso só para falar do Rio de Janeiro. Mas para onde formos dentro da nação veremos como é expressiva a produção cultural e a criatividade dos que há tempos vivem à margem.
Olhar para a periferia como lugar onde a violência e todo os males sociais proliferam, encontram calor e aconchego para germinarem é no mínimo ser cego. Citando o Bezerra: "se vocês estão a fim de prender o ladrão / podem voltar pelo mesmo caminho / o ladrão está escondido lá embaixo / atrás da gravata e do colarinho."
-Carlos Meijueiro, Coletivo Norte Comum
Trecho da reportagem feita no dia 13/04/2014 para a Revista O Globo
A identidade nacional vem do "morro". O samba, a mulata, a vida boêmia, a malandragem na dança, na conquista e na forma de lidar com a vida são elementos que nasceram na periferia e se consolidaram como marca da população brasileira. Isso só para falar do Rio de Janeiro. Mas para onde formos dentro da nação veremos como é expressiva a produção cultural e a criatividade dos que há tempos vivem à margem.
Olhar para a periferia como lugar onde a violência e todo os males sociais proliferam, encontram calor e aconchego para germinarem é no mínimo ser cego. Citando o Bezerra: "se vocês estão a fim de prender o ladrão / podem voltar pelo mesmo caminho / o ladrão está escondido lá embaixo / atrás da gravata e do colarinho."
quinta-feira, 10 de abril de 2014
As marcas da ditadura nas favelas
Ainda que de maneiras diversas, o regime militar não deu trégua ao asfalto ou às favelas. O maior impacto que a ditadura causou às comunidades talvez tenha sido a desmobilização de movimentos sociais que começavam a amadurecer no começo da década de 1960, tendo a Federação das Associações de Favelas do Estado da Guanabara (Fafeg) como principal representante (com a fusão, passou a se chamar Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro, Faferj). Nos 20 anos da ditadura, líderes comunitários e organizações sociais de favelas foram perseguidos, ao mesmo tempo em que estes lugares eram usados, por movimentos de esquerda, como local de organização e trabalho político.
A luta contra as remoções foi o motivo que norteou a unificação das organizações de favelas – fenômeno que fez parte de um momento de efervescência nos movimentos sociais, nos anos pré-ditadura, tanto no campo quanto na cidade. Foi durante a remoção da favela do Pasmado, em Botafogo, que a Fafeg foi criada. No ano seguinte, já era reprimida pelo regime. As remoções, que durante a ditadura continuaram sendo uma política de Estado através da Coordenação de Habitação de Interesse Social da Área Metropolitana do Grande Rio (Chisam), provocaram, para muitos pesquisadores, a desestruturação de organizações políticas existentes nas favelas removidas.
Um dos principais focos de resistência contra a ditadura estava nas favelas da região central e da Tijuca, explica a pesquisadora Eladir Fátima Nascimento dos Santos, militante na época. “Naquela área, existiam muitos trabalhadores da região portuária, que tendiam a ser bastante politizados. Assim, acabaram juntando a luta sindical com a luta das favelas”, afirma, lembrando que muitos faziam parte do Partido Comunista Brasileiro (PCB).
Em sua dissertação de mestrado – “E por falar em Faferj.. Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (1963-1993) – memória e história oral” –, Eladir entrevista Lucio de Paula Bispo, um dos fundadores da Faferj, que afirmou que o Morro de São Carlos se tornou um “verdadeiro quartel general” de resistência à ditadura.
Não se sabe se entre as vítimas do regime havia morador de favela. Dulce Pandolfi, historiadora e militante torturada no período, acredita que isso pode ter acontecido. “Não se sabe a dimensão da repressão nas periferias e no campo. O que se sabe é o que aconteceu com a classe média, que tem maior visibilidade. Hoje, sabemos do Amarildo pois vivemos em contexto diferente, mas antes o Amarildo era rotina”, aponta, referindo-se à morte do ajudante de pedreiro morador da favela da Rocinha, em 2013.
Mas não só as favelas da Tijuca e do Centro eram foco de resistência. O Jacarezinho também era chamado de “Moscouzinho” por causa da presença de líderes comunitários, como Irineu Guimarães, também ex-presidente da Faferj. Integrante do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), ele foi diversas vezes interrogado e preso pelo DOPS.
Em Vigário Geral, um grupo de dirigentes comunitários também formava um foco de contestação ao regime. Seu Farides, seu Naildo e seu Lins participavam de movimentos sindicais e do Partido Comunista Brasileiro. No livro “História e Memória de Vigário Geral”, de Maria Paula Araujo e Ecio Salles, Naildo conta ter tido que se esconder por algum tempo, fugindo da polícia. Lins teve a casa revistada e afirmou que o PCB teve grande importância para os líderes populares nas décadas de 1950 e 1960. Para despistar os agentes do regime, chegou a pendurar na parede de sua birosca uma placa com o nome dos deputados da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido do governo militar.
Somente no final da década de 1970 os movimentos de favela, assim como os movimentos sociais em todo o país, começam a se rearticular e a se multiplicar. Até então, os congressos da Fafeg eram monitorados e diversas associações de moradores, como a União Pró-Melhoramento dos Moradores da Rocinha, foram fechadas. Mesmo fazendo parte de um momento de abertura do regime, a repressão contra os movimentos de favela continuou no final dos anos 70 e início dos anos 1980. Em sua dissertação, Eladir dos Santos inclui diversos boletins do Sistema Nacional de Informações em que líderes e reuniões são monitorados pelos militares.
Quem resistiu?
Para Márcia Vera Vasconcelos, atual presidente da Federação das Associações de Moradores do Estado do Rio de Janeiro (Famerj), a classe média foi, realmente, quem capitaneou a resistência contra a ditadura. Ela lembra, no entanto, que a repressão estava por toda parte. “Onde se tentava fazer alguma resistência, a ditadura chegava. Não tinha lugar que não tivesse olheiro. A ditadura não brincou”, conta Márcia que, no período, mudou de nome e se disfarçou de operária.
Reprodução
SNI monitorava reuniões e líderes de favelas
Jocelino Porto, 68 anos, testemunhou a repressão em vários lugares onde morou. No ano do golpe morava no Muquiço, em Guadalupe. “Qualquer grupo com mais de três pessoas conversando, depois de 22h, era reprimido”, lembra. Já nos anos 1970, quando se mudou para Pedras Preciosas, em Rocha Miranda (onde hoje é dirigente comunitário), a situação era parecida. Ele conta que algumas casas chegavam a ser invadidas por agentes do regime em busca de armas e material subversivo. “A ditadura nas favelas também acontecia com a Mão Branca, que matou muita gente”, lembra, referindo-se ao codinome de grupos de extermínio formado por policiais.
Anazir Maria de Oliveira, a dona Zica, é moradora de Vila Aliança, tem 80 anos e é militante desde o final da década de 70. Ela concorda com Márcia na afirmação de que a classe média formou a principal resistência contra a ditadura. Mas lembra: vários organismos na favela ficaram com medo, como a igreja (que teve grande importância na mobilização social nesses lugares, antes e durante o regime) e os sindicatos. Para ela, a população das favelas em geral não se envolvia com a política por ter dificuldade para entender o que acontecia e por estar mais preocupada com a sobrevivência.
Em entrevista para a dissertação de Eladir, Lucio de Paula Bispo afirma que os moradores de favela contavam com uma vantagem porque “os aparelhos de repressão, por preconceito contra os favelados da cidade, não acreditavam que fossem capazes de se organizar politicamente e lutar contra ditadura militar”. Mesmo assim, ele foi perseguido. Por isso, sua família recebia ajuda financeira do Socorro Vermelho, do Partido Comunista.
O PCB tinha influência em algumas favelas. No Morro da Formiga, no Santa Marta e no Borel, por exemplo, o partido mantinha núcleos em que militantes prestavam diversos serviços comunitários, o que, segundo Eladir dos Santos era comum nos movimentos de esquerda e permitia uma aproximação entre a classe média e as organizações populares. Ela própria, depois de formada, prestava assistência jurídica à população do Parque Proletário da Penha – onde foi detida para "averiguação" três vezes.
Do outro lado da cidade, na Rocinha, a favela sofria repressão por conta da proximidade com a PUC. É o que conta Elisa Pirozi, de 75 anos, ativa na vida comunitária desde os anos 60. Ela lembra, assim como dona Zica, que a população da favela não participava muito da política, por estar preocupada com a sobrevivência. Mas, para Dulce Pandolfi, a população de favelas sempre foi objeto de desejo dos movimentos sociais de classe média. “Sempre foi o desejo da esquerda se aproximar da classe trabalhadora, reconhecida por seu potencial revolucionário. Setores da esquerda, que é muito ampla, como a Igreja, ONGs e sindicatos, já faziam trabalho com as favelas antes de 64. Claro que com a repressão isso ficou mais difícil, mas a relação continuou”, pontua.
Ditadura e cultura policial
No debate “O Golpe de Estado de 1964: 50 anos depois”, realizado no dia 27 de março, na PUC-Rio, a professora Marilea Venâncio Porfírio, da UFRJ, apontou que a violência estatal amplamente percebida até hoje nas favelas tem raízes na ditadura. “As práticas que fazem parte da violência policial contra os setores historicamente excluídos foram aprendidas nesse período, como coerção, violência física, intimidação e autoritarismo. Neste momento, em alguma delegacia da periferia, uma vítima está sendo torturada para ter informações extorquidas”, afirmou.
História a ser descoberta
A Comissão da Verdade do Rio de Janeiro planeja, para a segunda metade deste ano, desenvolver um grupo de pesquisa para investigar como a repressão aconteceu nas favelas do Rio de Janeiro. Já há uma parceria iniciada entre o organismo, o Museu da Maré e o Praça do Conhecimento, no Alemão. O objetivo é mapear residentes desses lugares que viveram o período e, assim, aplicar metodologia semelhante em outras favelas da cidade.
http://www.vivafavela.com.br/reportagem/marcas-da-ditadura-nas-favelas
Um pouco da dualidade comentada pelo Pedro e pela Mônica dentro de seus projetos. O morador da comunidade, seja adulto ou criança, entre a guerra policial-varejista (Filipe, 2014). Me lembrou diretamente a fala dos professores em que apontam as divisões entre as crianças e adolescentes dos projetos, que desejam ser traficantes ou policiais. O que me levou também ao debate sobre oportunidades de escolha, mais especificamente à fala de um colega sobre a influência vir apenas do lado pecuniário e sem interferência do social. Como Veblen diz, o ser humano é um ser social e pensá-lo dissociado do meio não poderia descambar em outro fim, a não ser o erro. Dizer que o ambiente favela não "imbute" uma ideia limítrofe de subempregos, seria dizer também que o "playbozinho" da zona sul tem, entre seu leque de escolhas, a opção de ser balconista de fest-food. Acredito, de fato, que o "ambiente favela", assim como o ambiente "zona sul" e todos os outros limitam substancialmente o prisma de opções dos indivíduos. Não falo de determinismo social, mas sim de influências fortíssimas sobre a conduta humana, até porque ninguém aqui vive em isolamento total. Não se trata de pensar o sentido existencialista de "escolha". A palavra chave é oportunidade. Como esperar de uma garota da maré que ela escolha e que tenha condições de levar sua escolha de ser arquiteta adiante, se ela não tiver condições para estudar e se tornar competitiva o suficiente para ingressar em uma UFRJ? Esse é um exemplo de escolha profissional, assim como ser sustentado pelos parentes também é, agora não haveria essa opção ao indivíduo se não houvesse os parentes (meio social) para que tal condição fosse possível. Mesmo em nossa própria opção recente de curso superior, quem aqui criou e desenvolveu um curso ou uma disciplina? Alguém não se submeteu ao meio social limítrofe de escolha de cursos? Vejo as pessoas ingressando em cursos já existentes e preferindo os de instituições mais conceituadas, como (que estranho) da UFRJ. "Por ser uma instituição valorizada socialmente", "porque minha mãe quis", "porque eu quis". Alguém ainda acredita que uma escolha como essa passa unicamente pelo indivíduo, sem influência externa? Nem nosso gosto/preferência vem apenas de nós (Bourdieu e Veblen). Acho realmente estranho quando ouço uma pessoa se dizer absoluta sobre si em relação ao meio (isso não foi uma alfinetada no coleguinha, ele não disse isso)...
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Pesquisa mostra importância de projetos sociais em favelas
Procurando sobre projetos sociais nas favelas, encontrei
essa pesquisa coordenada pela London School of Economics and Political Science
que mostra a importância dos projetos sociais nas comunidades do Rio.
Durante o trabalho, foram avaliadas as atuações do AfroReggae
e da Central Única de Favelas. A pesquisa mostra que as ações sociais são,
muitas vezes, a única oportunidade que os jovens moradores das favelas têm para
fugir da violência e da pobreza.
Vale a pena ler a reportagem, pois há grande relação com o
que discutimos na última aula de Extensão Universitária.
http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2012-09-13/pesquisa-mostra-importancia-de-projetos-sociais-em-favelas-do-rio
terça-feira, 8 de abril de 2014
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Charge sobre o tema "Adolescência em conflito com a lei"
Achei essa imagem interessante para levantar a discussão da redução da maioridade penal, assunto pertinente ao tema do projeto de extensão "Adolescência em conflito com a lei". A falta de oportunidades oferecidas aos jovens de classes mais baixas, muitas vezes, tem como consequência a entrada dos mesmos no mundo do crime. Parcela da sociedade brasileira acredita na eficácia da redução da maioridade penal enquanto outra parte discorda. Será que uma mudança na legislação referente a esse tema é, de fato, necessária? Não seria melhor pensar em formas alternativas de resolver o problema, como o investimento em medidas socioeducativas? O governo sueco, por exemplo, cada vez mais, vem desativando seus presídios. Não por falta de infraestrutura, mas por falta de presos. Por coincidência (ou não) é o país que mais investe em educação.
No Brasil, o sistema carcerário já sofre com inúmeros problemas, inclusive de superlotação. De novo, por coincidência (ou não), é um país com falhas expressivas na educação. Infelizmente, o (pouco) investimento direcionado ao sistema educacional é feito de forma desigual.
As oportunidades não chegam para todos. Chegam, inclusive, para uma grande minoria. Submeter os já desfavorecidos à medidas que não contribuirão para uma melhor formação, tendo em vista o falho sistema carcerário brasileiro, é realmente a solução?
terça-feira, 1 de abril de 2014
Essa matéria fala sobre a questão de gênero e achei interessante compartilhar. Ela aborda mais sobre como os bissexuais sofrem por serem considerados indefinidos sexualmente ou como promíscuos por gostarem de ambos os sexos. E a plasticidade na orientação, como numa parte da vida pode se interessar por um sexo e em outra parte por outro.
http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2013/04/15/heterossexualidade-nao-e-natural-e-compulsoria-diz-sociologo.htm#fotoNav=1
http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2013/04/15/heterossexualidade-nao-e-natural-e-compulsoria-diz-sociologo.htm#fotoNav=1
Diversidade Sexual e Preconceito
Esta semana, mais especificamente hoje (01/04/2014), teremos uma discussão acerca da "Diversidade Sexual", um assunto que com certeza rende muita discussão. Inclusive sobre o preconceito que a classe LGBTT enfrenta todos os dias. Hoje eu trago para vocês um curta-metragem, "Eu não quero voltar sozinho", que foi proibido nas escolas do Acre. O filme fazia parte de um projeto, Cine Educação, que visava promover a arte na escolas. Porém, por tratar, no eixo central, de uma relação homoafetiva entre dois rapazes, foi censurado graças à pressão de líderes religiosos sobre políticos locais, numa demonstração reacionária e de conservadorismo.
Além disso, o próprio programa "Cine Educação" ficou parado, devido às reclamações dos fundamentalistas homofóbicos. Ou seja, sem promoção de arte e cultura na região. Deixo abaixo o vídeo, para que todos possam ver e tirar suas próprias conclusões.
Após assistirem o vídeo, ficam algumas questões:
- Foi realmente necessário tanto alarde?
- Até que ponto a religião pode influenciar a arte e a política?
Geovani Macedo
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